Última Hora
PRAGA de baratas gigantes
atinge novos máximos
Última hora, meses, anos. A Periplaneta (nome de batismo, não artístico), espécie gregária e noturna extremamente rápida, está em franca expansão. Saiba o que fazer.
Texto: Dora Gonçalves Carvalhas
16 de Setembro, 2026
Há relatos vindos de gente que vive em casas asseadas, mas também nas avenidas novas, no português suave e até no parque das nações. Estão fartos.
Esta casa, de onde se escreve, não é exceção e insistentemente entram pela janela sem medo das alturas, prédio dentro. Não se pode abrir janelas, não se pode deixar o ralo dos lavatórios destapados e etc. Chamo-lhes Kafkas.
E se assim é quando Kafka entra no alto deste edifício, imagine-se a invasão de Samsas que vai neste rés-do-chão. A expulsar as pessoas dali para fora, numa batalha campal pela salubridade da mente.
O capital entra nas casas das capitais dos distritos, que nos campos nos habituamos a viver com os bichos, a ser bichos e sentir o peso de Gregor e a responsabilidade de sustentar uma família inteira. Tanto das pernas, como do céu. AMEN.
Baratas, criaturas tão vis que serviram de personificação ao contrário figurada na propaganda de regimes criminosos menos badalados pelos meios de ‘comunicação social’ e, também, na introspecção de génios literários mortos—vivos nas nossas casas a lembrar-me de uma existência que doeu mas, a pesar, se tornou eterna.
Papelada que não caiu na fogueira e alimenta produções em série. Os senhores da desinfestação já moram aqui, para poupar no gasóleo.
RELIGIÃO : 1/3 Mateutano
+ Madruga
Cruz, credo. Carneiros não ruminantes, força primeira da roda astral, o pastor é barbeiro de ovelhas; o gado nasceu para saltar, dar baile e corrida em osso; sacrifício só por prazer. Bondage!
+ Madre
Batista com água de rio e de mar. Benta. Que esteja sempre connosco quem batiza com cuspo. Atentos aos danados profetas. Falsos como notas de mil. Eles estão no meio de nós! Bondage!
+ Madrinha
Bem aventurados são os que não têm nada a perder, pois deles é o reino da luta até às últimas consequências. Diante dos chifres dos que temem a queda ao inferno dos pobres. Bondage!
Crónica Feminina
Avante, que atrás
já há caminho:
chama-se CU
Vamos aos factos. O facto é que no primeiro assalto foi um agricultor que ganhou a um gajo que fala pelas dores de cotovelos mas nunca foi à tropa e dela só veste roupa velha. Roupa velha é a seguir ao natal que se come e daqui até ao natal não me doa a barriga.
Texto: Dora Gonçalves Carvalhas
19 de Janeiro, 2026
Não sou comentativa da televisão, mas puxo de um lugar comum nesse parlatório onde se fala de mãos juntinhas a abanar, mas viradas para baixo (como se mostra nas escolas modernas que ensinam expressão oral para inglês ver): qual é a lição? Dependemos das mulheres e de quem trabalha a terra para meter pontos nos i’s e avançar. Toda a gente vê que o ponto no i do partido do sexagenário babão é vermelho. Um sinal vermelho não conseguiram as mulheres desse bom partido tomar iniciativa de mostrar, portanto avançaram para o velho princípio de guerra. Golpes, em baixo, nos pés de barro. De surra está o teu inferno cheio. Agora. Até a Maria—auto-proclamada liberal do tarot—veio terminar o serviço de bandarilhas, na televisão pública, a dizer que este patrão não sabe lidar com situações de pressão. Não fizeram ão! ão! Todas a remexer. A Maria de olhos pretos e do castelo branco, fixos, através da câmara, como quem olha diretinha nos olhos do outro. Morreu. E ela narra, como cornos de touro bravo, na transmissão da tourada em directo para a televisão. ‘Olé!’—a sua morte! “Uma derrota pessoal para o candidato.” A quê? (de mão atrás da orelha)
Lembrei-me desta tropa toda, porque há uns tempos comprei um casaco verde na Holanda. Foi barato, o casaco que depois descobri que era da época da segunda guerra mundial e tinha pertencido a alguém do Canadá. Um casaco dos Queens Own Rifles. Sim, a Rainha era uma mulher com uma tropa só dela e que mandou para a libertação da Holanda das unhas dos ‘itlas. Andar no frio é dia-a-dia normal para os canadás. Comprei barato, porque se calhar na Holanda andam a fartos de viver bem.
Nesta volta vejo que na terra do Seguro quem tem olho votou em peso no homem. Serve como indicador? Não sabemos, sabem os que lá estão. Cozinho para o povo. Na mistura dos ingredientes para fazer um bolo, a minha mãe ensinou-me: “se mexes a mistura para trás, comes o pão que o diabo amassou.” E com este mesmo princípio na sua caixa de reflexões não me deixava andar para trás, “para não ensinar o caminho ao diabo.” Come-se, mas não se acredita que um gajo que nunca foi à guerra é um ex-combatente ou defenderá o país no situacionismo da circunstância provável da expressão “quem vai à guerra dá e leva”, não é? Nunca levou na cara, chora e vai mandar na tropa. Isso é capaz de meter muitas parentalidades a chorar, na corrente. Não gosta de queer, mas escreveu sobre ciclistas com SIDA. Isto é cá uma missa do sétimo dia, até à última.
É enfiar uma carapuça de latex (ou tripa de porco) e jogar pelo seguro. Não se metam a esfolar a pele sem + / - senão acabam como os canadianos espingardeiros da rainha, a queimar o coiro na neve em nome de alguém que depois vai meter a roupa na Vinted para resolver um assunto pessoal de liquidez de uns trocos no bolso.
A mulher princesa da Espanha tem mais variedade no seu guarda-roupa militar e um CV superior aos candidatos daqui. Os ingleses ajeitam os óculos: da ponta do nariz, a subir empurrados com o dedo indicador.
No reino da Dinamarca, Gronelândia? Há trampolins. São para o urso polar.
Plim! Plim! Plim! Segundo assalto...
Consultório
A quem obedece porque quer mandar
Senhora doutora
8 de Outubro, 2025
Uma ida ao dentista para remoção de tártaro dos berros e bocas – como dizia Guedes que navega p’la depressão, depois de muito falar. Tásse. Uma tosse. Entre o poder e o trabalho, a vida normal. Ou se vive como peixe vivo a muscular no ginásio da corrente, nado morto arrastado, ou patudo na margem. Eventualmente, paralelamente, pesca alimento que sustente existência? Essencialmente. Naturalmente. Não é preciso muito, na liberdade de não querer saber o que se masca e cospem as bocas do mundo. Pele de ferro, venoso cobre, condutor da (nossa senhora!) electricidade, e sapatilhas de chumbo na lei de gravidade, quando não se dança mas sonha-se – a mandar rezas à impossibilidade. Dentro da armadura mandam os que lá estão.
HORÓSCOPO
“Moleirinha” – Karetus, Conan Osíris, Júlio Pereira, Isabel Silvestre com as Vozes de Manhouce
Texto: Dora Gonçalves Carvalhas
28 de Setembro, 2025
A astro-lógica explica que quando se tem o aquário em Marte, é-se difícil de impressionar. Mas alguém que mete gente dos barrocos da montanha mágica a apanhar sol com o Conan e a falar da farinha do patrão com Osíris já fez mais pela humanidade, a lavar loiça com a sua simples existência, do que o disco riscado a berro retroativo, retrógrado e retórico da latrina para lamentar. Ya!
Mete medo ser tão capaz, audaz, rapaz? É triangular (v. int.): mistura, baralha e devolve-se. “Buh!”
O Horóscopo diz que o futuro, como todos os futuros passados, não é catástrofe. É limpo e lindo será. A encardir a roupa com o pó que mete pão a crescer, não o papo seco a inchar.
Um dia, oferecido por divindade – dito à moda dos gregos – apanhar-se-á sol como Conan, com a professora a sair dos silvados (sempre a rasgar), os cantares espalhados do alto da montanha (+/- mezinhas +/- bruxas +/- rituais +/- divine) com a honestidade de quem entra na aldeia a saber que vai encher os pés com bosta de animal. A maneira de andar não muda, a pesar. Respinga.
Esta palheta é para dizer que os astros n’Um Jornal dizem que esta música da “Moleirinha” é linda e com tanta prosperidade nela, quanta cabe no devir de cabeça de bebé. Tudo.
Uma Barraca Não Ardeu
Não se Chamou os Bombeiros
Texto: Dora Gonçalves Carvalhas
20 de Junho, 2025
Lama. Lamacento. Lamento.
Mas o tempo não está para fracos. Para peças soltas ignífugas. Não há, com paixão, perto de nada. Não se consome, nas chamas, enquanto dependente. De subsídio. De ministro. De alguém. Da lei. A administrar um penso rápido temporário. Um sol de pouca dura não brilha para todos nós, nem quando é dado. Evangelistas que até ciganos convertem num templo arquiteturpado por homens muito novos. Pouco ricos de bolsos a fundo perdido. Tudo farinha para inchar barriga.
O Brian Wilson até deu o badagaio para ir ter com o Carlitos, com tanto desejo de regresso ao passado que anda por o ar. Culto aos fanáticos das luzes da ribalta.
O Camões gostava de andar à porrada. Que avesso.
A colunista literária de Um Jornal memorizou o início dos Lusíadas a atravessar uma ponte, por cima de um rio seco, no bairro dos ocupas. Um homem à procura de tostões ia para ensacá-la, mas foi salva por duas ninfas igualmente feias. Passaram a vida à porrada com os homens que as tentaram levar, vender, desmembrar e está por aparecer mostrengo que não fuja de nós: a dótora, a loura e a morena.
Quando se abrem as portas do teatro a todos, a vida pode muito bem acontecer.
Na liberdade, que é de borla, prevalece a força do +forte. Mão estendida ou punho cerrado? Agora escolha. Agora fale. Agora meta-se em chamas, delas não se abdique, que a falta de fogo vê-se e a força porta-se.
Deitam-se na cama com o observador e atiram o zarolho por terra. Recolhem o dinheiro do Estado. Das coisas. Andando. O Estado não são os portugueses. Os portugueses não descobriram e não descobrem nada, nem são tidos nem achados. São aqueles que vivem no Portugal. O seu X não vale um caralho murcho. Um milhão é pouco, breve nem dá para uma casa. Mas murchos e medíocres mandam ou querem mandar.
Marrequice de se habitar tempo e espaço em que não se sabe bater nem apanhar. Já Agora.
A tirania do auxílio é fazer crer que se é incapaz, independente.
Política Externa
(para inglês ver)Chupa-chupa
Euronews
Texto: Dora Gonçalves Carvalhas
3 de Junho, 2025
Sempre achei graça a esta palavra em italiano: ‘Leca Leca’. Cá temos meia, para quando queremos dizer uma pessoa pequena.
E no meio do povo, um dia leva meia-leca para o trabalho. No outro, empresta o casaco à empregada, para lhe roubar o cheiro e disfarçar-se de cordeiro – um snif snif a brisa de leste a lamber-lhe a espalda – feroboda de quem vai à rua comprar pão, vendido ao preço nem de ricos nem de pobres. “Já não temos, esgotou. Volte noutro dia e tire a senha para pagar mais por menos.” Para se sentir um pouco mais do que os demais. Há uma grande broa. Um dia alguém se lembra de meter isto tudo numa mortalha e fazer desta treta matéria de fumar, para quem chupa Abílio! a queimar ao ritmo das pausas para o sopro e para a erosão da grafite.
Por enquanto mata-se/ deixa-se matar/ morrer apenas por questões de administração interna. Não se quer chatices, devagar, ao passo e arrasto da mentira a cozinhar à velocidade que a carne de cabra velha precisa. Pequenina, ela ouve e finge que está tudo OK ao ritmo do silêncio dos memes de internet. Um KO em dentes de leão chama-se pff.
O que fizeram à tesão, amigo? O que esperar de alguém que só conhece nas lágrimas sinal de mansidão e não de raiva, prelúdio de coisa ruim – uma lavagem mais arrasadora do que Etna ou Capelinhos. Um vulcão é meia-leca, por comparação.
O meu sonho é ser uma anormal malvadez, incomparável no meio das pessoas de bem. Boa gente. Outra loiça. Como pratos de inox. Inquebráveis nas quedas em tentação que agarramos com unhas e dentes, como fazem os raros tigres da Malásia à hora do comer. Normalmente.
Que todas as oportunidades me conservem má-na-fita. O lado negro do ‘chupa!’ Parece a cantiga de uns ingleses.
A passar eternidade nesta ladaínha que parece a lenga-lenga entre os améns. Ninguém percebe bem o que dizem, mas dizem todos o mesmo e ao mesmo tempo. Uma muralha em procissão.
Futebol #000000
Total: 0 títulos, 0 deus, 0 rei, 0 lei, 0 eira, 0 beira
Por Dora Gonçalves Carvalhas
27 de Maio, 2025
O Benfica jogou outra vez com o Sporting. Quando há bola, a gente fica distraída e não vê mais nada? Não, não, não.
Há quem acredite que se usa o futebol para adormecer a gente. São escolhas. Este jogo da Taça de Portugal deixou tudo bem claro acerca do que se passa, passou e passará. Aqui no bairro só se ouve gritar “golo!” quando é o Benfica a marcar. Felizmente houve sossego para quem só gosta de futebol e acaba por dormir a sesta. Para estes, o clube de gente organizada e de bem ganhou o jogo apesar de não saber bem o que é uma bola. De cristal.
O que aí vem, como nos mostrou o Glorioso neste jogo no estádio do Português Suave, é uma chuteira a esmagar as cabeças. Nada de levantar, “nós somos os que pisam!”– ouve-se, ouviu-se e amanhã há mais.
Descontaste para ter direito à reforma? Cuidado com o VAR [(Vamos A Ver)se nos apetece mexer nas tábuas e metemos a constituição mais pequenita, como a do Moisés]. Não passo cartão a isto, Sócrates. O alfabeto veio dos mouros e tem mais letras do que éfes. É marcar de cabeça.
Telegrama
Telefonado
Por Dora Gonçalves Carvalhas
27 de Maio, 2025
Um jornal apurou que várias famílias deixavam crianças sozinhas em casa, no século passado, entregues ao passatempo dos telegramas telefonados. Uma brincadeira que acabou mal para uma percentagem dos garotos, porque se cobrava à palavra e os putos não se calavam. Quem não tinha telefone, via a tela-escola. Escolhas, para matar a morte de estar fechado desde mil nove e […]
Chegou o advento da livre opção, na viragem do século, para os sobreviventes da geração heroína. Tornou-se possível o ‘Isto ou aquilo?’ para quem quer. Quem ama não chora e quem odeia não mama. A verdade não é absoluta, é transparente. Então aguenta, como dizia o outro das torres, e manda um telegrama telefonado antes que haja outro rapagão elétrico.
“Vai acabar-se a mama!” Acho mal, mas enfim. Um jornal falou com Etelvina, que tem duas, e se doença as agarrar não irá à fundação do Toni serrá-las, para as dar ao negócio dos curtumes. Livrar-se do afundamento de navio, como o Marconi.
É normal que o ódio seja propagado por homens que não sabem meter-se num vestido: de este a oeste. Ter um corpo capaz de dar uma vida inteira ao que outro corpo rejeita, não é magia. É opção: ter ou não ter? A vontade normalmente aparece para lixar tudo, mesmo se só possuímos o optimismo de escrever.
Internacional Conspiração de Barulho
Sul? África?
USA-se o quê?
Uma vez fui à África do Sul e conheci lá um português que me disse que, se decidissem fazer as caricas das garrafas em ouro lá nesse cabo do mundo, o dinheiro ia perder muito valor. Há muitas minas lá. O Joe português achou aquilo uma mina. Onde anda esse bernardo hoje em dia? Já não se o vê no centro de Belém a ajudar culturalmente os artistas de Um País. Um dia a gente preta ainda se lembra de olhar para o ouro e deixa de matar para comer, para tomar e comer as minas todas que lá há. Vêm-se do céu.
23 de Maio, 2025
influencers
O que não falta são empirismos científicos que nos mostram as crueldades que pessoas normais estão dispostas a cometer, quer por obediência quer por influência. Na ciência ou nas artes, não tem faltado gente capaz de fazer umas belas malvadezes, seja em nome da aprendizagem ou por repetir o próximo e ir mais além. O Milgram e a Abramović já mostraram que se é capaz de torturar para corrigir a bem do saber, sem olhar nos olhos, ou bater numa mulher e etc. à frente de todos. Isto não aconteceu antes da gerra nº II, foi visto e feito na idade de ter o juízo.
23 de Maio, 2025
#eutambém
Ainda se comiséria junto com as atrizes do monte sagrado do cinema norteamericano, capazes de tudo para conseguir o papel. Acaba por se querer ser como as estrelas e não combater ao lado de gente normal #representa! O que não se sabe bem é o nome de quem começou isto. Chama-se Heaven, uma miúda hiper activa com uma família engraçada, igual a outras aqui da vizinhança. Como era chata, acabou por ser ouvida, sem PR. O que não falta por aí são paraísos para oportunistas, nas relações públicas, lavarem as mãos e a culpa. #pia – serás ouvida.
23 de Maio, 2025
Como cantava o Patrick Fitzgerald, andaram muito ocupados com o que se passava no mundo e foram-se esquecendo como se trata do quintal de casa.
Contos do vigário
Deve e Pode:
São Coisas Diferentes
Por Dora Gonçalves Carvalhas
22 de Maio, 2025
Lugar: Av. Fontes Pereira de Melo, Lisboa. A plateia aplaudiu.
No dia da porrada o gajo que apanhou chamou-me Rambo. Com esta alcunha assente, subi. Os jornais metidos debaixo do braço, perna-longa e saia curta (de quem pouco sabe do mundo, mas experimenta os primeiros ensaios de maldade), amarinhar os degraus aos pares, cabelo às compridas ondas, entre os 70s e os 90s–“até lá muá!”–ai Portugal Radical, estás à espera de quê? De fazer um montinho de dinheiro para ir ao universo escolar, sem dever nada a ninguém.
Entrei.
O escritório era enorme, bem decorado, frio. Nunca vi o doutor. Só lhe pousava as impressões diárias em cima da secretária. Largava o cheiro da tinta, da prensa, e ia embora.
Não fui ardina, como quem me largou no mundo cuspida pela gaita, mas era parecido. Os tipos do banco estavam de volta. Entregámos jornais em semelhantes circunstâncias, na rua e suas pugilices. Eu ao menos tive umas botas e alternava o meu pisar entre as pedras da calçada e a alcatifa. Apesar e por causa de muita porradinha, lembrava-me sempre das histórias que o pé descalço me tinha contado sobre esse tipo do escritório enorme, no cume, do prédio, à esquina. Depois continuava a trabalhar.
A sequência era:
Abria os olhos;
Mandavam-me abrir as portas;
“Bom dia” à senhora secretária;
Abriam-me as portas muito grandes;
Largava o que tinha de largar;
Fiz o meu trabalho;
Regresso ao balcão da tabacaria, para esfregar a lojita de uma ponta à outra, depois de dar porrada ao tipo que me apalpou o rabo antes de subrir àquele sítio;
Que fedor;
Aplausos;
Repetir.
- “Querem mais, não é?”
Quem teme passa a vida endividado. Nunca chega.
Um enxerto de nada à espera das mãozinhas juntinhas atadas ao celular. A fazer-se rogado, por nós. Pescadores. Rogai.
Do grito “Lisboa, Capital, República, Popular!” já não há nenhum e pregaria só na igreja.
Deshabitação
!Plano Mestre, Peido Mestre?
Dora Gonçalves Carvalhas
19 de Maio, 2025
Quem decide onde ficam as casas. Quem mora onde. Como se espalham as pessoas no espaço. Quem passa a viver onde. Como se juntam grupos de pessoas no mesmo lugar.
Quem desenha isto tudo.
Gosto de cores contrastantes. Quando se esbate a côr, dissolve-se e torna-a um pastelão. Açúcar na água, para reanimar quebras de tensão.
Basta olhar ali para baixo e ver que prédios nasceram (e ão) na freguesia. São estes bonitos meninos, com dinheiro para comprar essas casas, que passaram (e ão) a vir para aqui votar e dissolver a voz (a vós). Mas ainda queres ser como eles... habitação (in)”acessível”. Aprende-se lições a ver desenhar casas.
Cavalo de promessa não mostra os dentes.
Os ocupas que vemos agora são de bem e entram pelos armazéns do vinho a martelo adentro para beber cerveja artesanal e gin-qualquer-coisa. Querem pobres, ser outra coisa. Alguém na vida. Qualquer coisa. Coisas. Espantam-se hoje.
E eu tenho sempre a casa desarrumada, com todo o gosto. Desorganizada. Toco de improviso, nela, com qualquer utensílio no ensaio do por acaso, feia, desatinada. Afino por nada. Abro a porta à minha maneira, como cantavam os Clash, mais os xutos e os pontapés.
A oportunidade-aparição às vezes lixa tudo. Agarro-a como se aceita canivete para cortar um casqueiro.
À espera. A olhar p’ró PAR.
Livre? Democracia.
Representa-se.
DESHABITUARDESHABITUAR
DESHABITUARDESHABITUAR
DESHABITUARDESHABITUAR
Opino
Pode e deve, com certeza
Dora Gonçalves Carvalhas
20 de Maio, 2024
Poder, pode! Pode sempre e pode tudo! Quanto mais, melhor. Maior a corda. Não? Não. Talvez.
Mas então qual o precedente que se quer abrir? O de censurar o encorajamento à burrice? Calanzice? Ou o da prevalência da ética e comportamento de bem no parlamento? São Bento é um café, por acaso?
[Estabelecimento comercial]
Pensava que pessoas de bem não falavam assim. Mas os mais velhos sempre me disseram que “a pensar morreu um burro” e também que “mais vale um burro vivo do que um filósofo morto, mas é melhor morrer como filósofo, do que viver como pateta.”
Caramelos de Alcaçuz:
um negócio Escandinavo
Texto: Dora Gonçalves Carvalhas
13 de Maio, 2024
Fotografia tiranda em Copenhaga, na corrida de 1964
Outras unhas, setas e palavras direitas ao alvo. Engraçado que, sessenta anos depois, tudo continua na mesma. Na Escandinávia limpa-se muito, mas não as ruas, que estão cheias de beatas, mijo, cerveja e escarros.
Nessa altura, há sessenta anos, também Portugal esteve em vias de ficar de fora do concurso. Acontece que deixaram passar o andor. Ficou uma espécie de ameaça mal enjorcada. O astigmatismo de que padece a eurovisão não melhorou com o tempo e, eventualmente, até já sofre de cataratas.
Fui visitar o oftalmologista com uns óculos muito grandes, de marca São Lourenço, na cara e fui ver onde pára o ficheiro da EBU – o sistema europeu de difusão que manda no festival – e foi uma confusão.
Os escritórios são na Suíça, mas também em outros países, entre os quais a Rússia. Apesar de lavarem a fronha, ao boicotar este mesmo país, que até parece trabalhar na disseminação da popularidade da arte destes artistas-de-corridas (entre outros tantos negócios eurovisionários).
Este quinteto não é o agrupamento dos famosos animais africanos: o elefante, o leão, o leopardo, o rinoceronte e o búfalo.
Não.
Estes big 5 são animais da mesma espécie: uns recos que têm nota e pagam a passagem automática à final. É isto que determina os seus distintos tamanho e talento: grande banco, meus ricos rouxinóis!
Até o “Reino Unido” gasta euros nisto (mesmo que não se queira meter noutras visões comuns), Espanha e Alemanha também – porque para os europeístas-decisores, músicos destes lugares, o dinheiro determina o brilho cintilante da igualdade e justiça, Oh! meritocracia! Oh! portunistas! Que se foda a lei de Jante! – e ainda a Itália que, por acaso, até venceu o referido festival das cantigas em 1964.
Como os tipos da EBU são espertos, arranjaram um público alvo para desfibrilhar um festival que estava moribundo e servem-se das conchitas, dos não binários, dos + e dos - todos para dar um cheirinho de diversidade e lavar aquela latrina. Mas está tão encardida e venderam tantos bilhetes que, desta vez, já não conseguiram esconder o gato todo como é hábito aqui na quinta. Desleixaram-se um bocado, desculpem lá!
Aqui na Escandinávia é mais fácil apagar as explosões de bombas, os problemas com os motoqueiros anjinhos do inferno e o negócio da heroína dos noticiários, do que a revolta de tantos emigrantes que abandonaram a sua faixa, para poder gritar aqui na Copenhaga e do outro lado da ponte: Malmö não é Almada. Mas, daqui, é só atravessar. Uma cidade que não é Badajoz, mas onde também se compram caramelos, só que com o sabor estrambólico a Alcaçuz. Na boca!
O lado certo da história, Um Jornal não sabe qual é, mas certamente não é o do palco onde se berram cantigas murchas e neutras como a Suíça, que produz de tudo um pouco, até antimatéria. Em segurança.
Cito os ABBA in Waterloo (canção vencedora de 1974): “como poderia recusar, sinto que ganho quando perco...”
Fascismo sempre!
25 de abril, nunca mais...
Texto e fotografia: Dora Gonçalves Carvalhas
6 de Maio, 2024
Mais, nunca. Cada vez menos. Liberdade. Nunca mais vem. Fascismo sempre! Impositórios. Seus impostores do caralho.
Ditadura sempre. Estão em todo o lado. Também aprenderam as marchas populares, mesmo sendo da idade do rock. Reis da pedra. Fodem o próximo por um espaço de propaganda num jornaleco. E estavam tantos na marcha. “É bonito não é? Tanta gente junta. Somos muitos.” Não. Ser em coletivo. Não é não! Isso é outra coisa. Não somos. Cada um é como cada qual.
Sugestão: pegue [tracinho] se no dicionário e procure [tracinho] se na definição da palavra camaradagem.
Preparem-se criancinhas, que o futuro não tem sorrisos e, pelo andamento da marcha, vão continuar a ir de carrinho. Meio século é muito tempo para um casamento entre uma mulher e um homem; pouco tempo para uma democracia; um ápice para a liberdade.